domingo, 22 de fevereiro de 2015

Estará com ela. Eu também estarei.

Já perdi primos, tios, avós, mas não foram dores complicadas de se curar. São daquelas que machuca por ver outros parentes seus sofrerem. E a dor dela eu não sei medir. Um dia todos nós vamos sentir, um dia eu vou saber como é, mesmo querendo manter distância disso por um bom tempo. Eu nunca fui boa com perdas, mas também quem é? Ninguém espera perder alguém próximo que ama. Porque quando a gente ama, quer fazer daquela pessoa imortal, como deuses da antiga Grécia. Cada um lida com a perda de uma forma diferente, e todos aprendem isso na marra. Seja cedo demais ou tarde demais.
A pior dor que até hoje já experimentei não foi de ter perdido um ente querido, foi de ver quem eu amo passando por isso. Aquela pessoa que me descobriu e me acolheu nos braços pra caminhar junto e dividir os dias. Quem disse sim ao meu pedido e segura minha mão enquando passeia. Ela estava alí, com a tristeza nos olhos, uma inundação de por ques jorrando pelo rosto, e uma família recentemente quebrada. O que eu posso fazer? Posso chorar quietinha na minha casa e pedir à Deus para que dê força a eles. Posso pedir colo aos amigos e palavras de conforto. Mas o principal, eu devo ser forte e presente. Assim, meus ombros podem ajuda-la a carregar esse fardo, até que ele se torne mais maleável e nós possamos modela-lo até que as lembranças já não a façam chorar, e sim, sorrir. Até que a ausência concreta seja presença abstrata. Até que a voz gritando lá dentro seja um sussurro manso, até que dormir seja mais fácil. Até sempre, estarei com ela.